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“Os seus livros trazem a vida da instituição desde a restauração às guerras liberais, desde a Flandres a África, desde a construção de fortificações aos mais recentes trabalhos da engenharia […], desde as pesadas peças de artilharia do século XVIII, aos modernos mísseis. Recordam-nos o rigor do
cálculo da engenharia militar e apresentam-nos o sofrimento das trincheiras. É um serviço com uma insonora mas real eloquência.”
A Biblioteca da Academia Militar. Rui Carlos Antunes e Almeida Lopes
Origens e enquadramento institucional As origens da Academia Militar prendem-se com a necessidade de reorganização da defesa do território resultante da Restauração, em 1640, através da construção ou reedificação das fortalezas e do desenvolvimento da artilharia . Ora, estes desenvolvimentos tornavam necessária a organização de estudos em engenharia e arquitectura militares e em artilharia que formassem técnicos capazes. Nesse sentido, intimamente relacionada com a história da Instituição está a da sua Biblioteca. No decreto da fundação determina-se que haja um bibliotecário, lente substituto em acumulação, e um oficial de biblioteca; e em 1866, data em que o actual edifício fica à total disposição da Academia, havia uma Biblioteca – no mesmo espaço onde hoje a encontramos. Fundo Documental O fundo documental era constituído em função dos cursos ministrados, em temas que se estendiam da História à Geografia, da Fortificação à Legislação Militar, da Matemática à Mecânica. Os documentos haviam pertencido à “Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho” e eram em número pouco elevado dado que, naquela época, não só a bibliografia militar era reduzida, como também diminuta era a verba destinada à aquisição de livros.” Em 1839, o Governo, acedendo ao pedido feito pela Escola do Exército, concedeu à biblioteca desta um avultado número de obras provenientes dos depósitos das livrarias dos conventos cujas ordens religiosas haviam sido extintas em 1834 –algumas de grande valor e que vieram enriquecer o núcleo bibliográfico primitivo. Entre os muitos beneméritos que contribuíram para o engrandecimento da Biblioteca destacam-se o Barão de Widerhold e o Fundador da Escola do Exército, Marquês de Sá da Bandeira. Este, que em vida ofereceu um grande número de obras, mapas e escritos à Biblioteca, doou-lhe em testamento a sua biblioteca particular. De entre o Fundo de Livro Antigo - manuscrito e impresso – em quantidade apreciável para os séculos XVI, XVII e XVIII, temos por obras mais antigas as seguintes: - Arithetica Ioannis, um estudo fundamental em Matemática (1514) - Chronica d’el Rey D. Juan II (1517) - Décadas (1520) - História general de las Índias (1535) - De la pirotechnia (1540) - Arithmeticae practicae methodus facilis (1540) Instalações Presentemente, no andar nobre do Palácio e Quinta da Bemposta, situado no pavimento superior, estão instalados a Sala do Conselho, o Salão Nobre, o Museu - e a Biblioteca. No entanto, até 1899, a Biblioteca esteve alojada em quatro pequenos compartimentos e um sótão. Reconhecido o acanhamento de tais instalações foram, nesse ano, efectuadas obras , transformando-se na actual bela e vasta sala rectangular, com galeria em toda a volta. Esta Sala, que constitui o compartimento principal e de maior beleza da Biblioteca, está equipada com mesas para permitir a leitura e investigação e armários que se supõe serem de duas origens: os de madeira escura teriam sido guarda-loiças ou estantes e armários da Casa do Infantado e as restantes de madeira pintada constituíram salvados do incêndio subsequente ao Terramoto de 1755 que destruiu o antigo Palácio do Patriarca, situado ao fundo do Jardim do Príncipe Real. Ornamenta esta Sala o busto de Luiz de Camões que os Cursos de Infantaria e Cavalaria do ano de 1880 ofereceram em comemoração do centenário em honra do grande épico português. Além desta Sala, a Biblioteca é constituída por mais três compartimentos. As duas salas correspondem ao Gabinete do Director das Bibliotecas e ao Gabinete Técnico, sala onde se efectua todo o processo de parte da cadeia documental. A destacar, nesta sala, a existência dos ficheiros com a catalogação manual. Nestes dois compartimentos, que igualmente possuem galerias com estantes, é de realçar a beleza dos panos de azulejos do século XVII. |